Uma dose diária de café poderá prevenir doença de Alzheimer
9/3/2010 - Ciência Hoje

Uma dose diária de café poderá ajudar a prevenir a doença de Alzheimer, alertou uma investigadora da Universidade de Coimbra, citando um estudo que comparou pessoas que tomaram café ao longo da vida com outras que não o fizeram.

Grupos de investigadores da universidade de Coimbra, a exemplo do que acontece em outros centros de investigação internacionais, estão empenhados em desenvolver uma pesquisa básica para perceber os mecanismos da doença neurodegenerativa, identificar alvos terapêuticos e testar compostos para avaliar se são neuroprotectores.

Os estudos têm-se direccionado especialmente para a Alzheimer, uma doença neurodegenerativa que afecta no mundo 20 milhões de pessoas e em Portugal 70 mil, e que com o aumento da esperança de vida se prevê que venha a ter um crescimento acelerado.

"Esses estudos são importantes. Mostram que os próprios hábitos podem influenciar a doença de Alzheimer, como acontece com as cardiovasculares", declarou à agência Lusa Cláudia Pereira, investigadora do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra.

Um desses grupos, de que faz parte Cláudia Pereira, vem-se dedicando nos últimos anos ao estudo da doença de Alzheimer e a avaliar a influência do café na prevenção da doença, procurando, por essa via, descobrir substâncias activas para a produção de fármacos.

"Poderá eventualmente haver uma estratégia terapêutica para problemas associados à memória. Poderá ser um princípio activo de fármacos em doenças neurodegenerativas", considerou em alusão à cafeína, durante uma conferência que hoje proferiu no Museu da Ciência de Coimbra, intitulada "Quando a memória nos atraiçoa".

Para Cláudia Pereira, >"uma dose diária de café, de certo modo, retarda o surgimento da doença". Isso foi concluído pela análise comparativa de pessoas que ao longo da vida tinham o hábito de tomar café, e outras que não o integravam na sua dieta. Laboratorialmente têm-se realizado testes com cafeína em ratinhos.

A doença de Alzheimer surge geralmente a partir dos 65 anos e os doentes acabam por morrer cerca de oito anos depois, com a degradação acelerada das faculdades, de perda acentuada de memória, e também das aptidões motoras.

Estudos realizados concluíram já que a perda de neurónios ocorre muito antes de se revelar doença, referiu Cláudia Pereira, daí a importância de se perceberem os mecanismos da perda da memória. A comunicação "Quando a memória nos atraiçoa" enquadrou-se num ciclo intitulado "conversas com cientistas" a decorrer esta semana no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.


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